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Mostrando postagens de setembro 6, 2009

voz do escuro

Ouço vozes frias Nessa cidade que ferve Vozes, gritos, sussurros... disse-me-disse, fofocas, intrigas Estou farta! Ouço o que não quero Ouço migalhas, picuinhas Ouço coisas sem melodia. Não quero. Ouço coisas sem poesia Não posso. Ouço besteiras infames E argumentos tolos Ouço reclamações diárias Insatisfações... intransigências Ouço sem querer ouvir. Oh, Meu Caro... porquê não ilumina essas vozes? Para que gritem, falem, cantem Intriguem e sussurrem poesia Porque não os dá tom e a melodia certa para que não errem? Queria ter o dom de musicar tudo Queria ouvir risos em choros Gargalhadas em lamentos "Eu-te-amos" em tiros e navalhas Se não for assim, prefiro estar surda... Mouca. Pouca. Vazia. Fim.

Lua vazia

Me entrelaço em mim mesma Como forma de fuga Supro carencias existentes Com loucuras inexistentes Sou riso frouxo quando preciso E choro preso quando não quero Debruço-me na sorte Deleito-me da noite Penso, assim, existir de forma mais vã Menos aguda... estridente. Às vezes fico surda com os meus desejos gritantes Preciso serenar... Ainda que seja no sereno da noite Noite da lua que me seduz, do cheiro que me arrebata Do vazio que me preenche. Sou sempre eu e ela Eu gritando, bravando... e ela, quieta, plácida Deste modo me acolhe e me supre Dando-me a falsa sensação de que eu sou como ela Inteira, intensa, silenciosa, mágica e fascinante. Posso ser assim, sei que sim. Mas até que raie o dia.