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Mostrando postagens de março 18, 2012

Menina nos Olhos

E vendo teus olhos assim, marejados de amor Parece que têm culpa e um resquício, qualquer, de dor Te vejo chorar, sorrindo. Acho precioso a curva que a lágrima faz no seu queixo E, ao mesmo tempo, gosto da fragilidade de vê-lo (o queixo) tremer. Teu olho não mira certo em nada. E nem conseguiria. Nem você sabe, naquela hora, o certo. Tão confusa que a boca abre e fecha e balbucia e não diz nada E você, tão linda diante da dor Que ela me soa mais leve, menos densa. Sim, a dor é tua... Mas não parece tão ruim assim. Te vejo criança. Te vejo sem sua habitual segurança E me encanta. Imagino o que pensas de mim: gosta de ver e de fazer sofrer. Não. Só gosto da tua fragilidade.  É tão ligeira que preciso estar atenta à cada milímetro dela. Tão rara que poderia contar nos dedos quando a vi presente em ti. Lamentas bastante que emagrece a mágoa e seca a dor. Chora, a tristeza nem sempre é feia. Faz com que te tornes mais humana, mais bela, mais poética e fim.

Y así... (por Daniel Rodrigues)

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Minha agenda é um rascunho de poemas inacabados Meus dias são escritos em linhas tortas Onde Deus não incide Dias de um calendário que já não está mais aqui Onde fui parar? Que endereços são estes que me esqueci de onde ficam? Perdi-me Horas, dias que não são mais eu Não mais sou (Não mais sou?) arte: Daniel Rodrigues Frases que não querem se concluir Poesias que se prendem ao papel E nunca, nunca, jamais!, tomar vida As folhas são sua casa E, fechadas, no calor das páginas unidas, podem se eternizar naquilo que nunca foram Outras dessas, porém drummoniamente Se libertam  descolaram-se Ilíadas temerosas Ansiosas para serem invadidas de sentido E que, hoje, olham para o ventre de onde saíram e quase não se reconhecem “Eu fui eu?”, perguntam-se com espanto É de se espantar Meses repetitivos, que não mais se repetem Me angustia, mais do que tudo, não compreender palavras que eu mesmo escrevi O que contém ali? Quem eu era naquela hora, ali, quando a...