Menina nos Olhos
E vendo teus olhos assim, marejados de amor
Parece que têm culpa e um resquício, qualquer, de dor
Te vejo chorar, sorrindo.
Acho precioso a curva que a lágrima faz no seu queixo
E, ao mesmo tempo, gosto da fragilidade de vê-lo (o queixo) tremer.
Teu olho não mira certo em nada. E nem conseguiria.
Nem você sabe, naquela hora, o certo.
Tão confusa que a boca abre e fecha e balbucia e não diz nada
E você, tão linda diante da dor
Que ela me soa mais leve, menos densa.
Sim, a dor é tua... Mas não parece tão ruim assim.
Te vejo criança. Te vejo sem sua habitual segurança
E me encanta.
Imagino o que pensas de mim: gosta de ver e de fazer sofrer.
Não.
Só gosto da tua fragilidade.
É tão ligeira que preciso estar atenta à cada milímetro dela.
Tão rara que poderia contar nos dedos quando a vi presente em ti.
Lamentas bastante que emagrece a mágoa e seca a dor.
Chora, a tristeza nem sempre é feia.
Faz com que te tornes mais humana, mais bela, mais poética
e fim.
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