Miragem
Vinha ela assim, nua, quase crua Sem sentido, nem linha reta Vinha ela, na direção da minha janela Não distinguia seus passos. Parecia flutuar, talvez. Noite escura, minha visão turva A lua reflete no mar... Algo me confunde Mas ela continua vindo em minha direção Me parece mais ardente... Talvez eu esteja febril Minha boca fica seca, me sinto trêmula Ela se aproxima Calma, lânguida... Chegou, enfim? Não... Ainda não. Na verdade está longe, parece que sai da água. Confusa. Que cor tem? Que língua fala? Vejo um vulto. Sua aura? Talvez uma sombra. Mas é tão clara... Mas ela está despida, tenho certeza. Talvez não tenha tanta certeza assim. Suo. Frio. Vento. Pisquei. A perdi de vista? Desespero. Veludo. Seda pura Sinto algo sobre minha pele. Temo abrir os olhos, tenho medo de não vê-la mais. Será que ela ainda vem? Mas, que textura é essa? Hesito, mas abro os olhos. Ela, enfim. Me toca atiçando todos os poros do meu corpo Não parece sonho, embora ela pareç...