Miragem

Vinha ela assim, nua, quase crua
Sem sentido, nem linha reta
Vinha ela, na direção da minha janela
Não distinguia seus passos. Parecia flutuar, talvez.
Noite escura, minha visão turva
A lua reflete no mar... Algo me confunde
Mas ela continua vindo em minha direção
Me parece mais ardente... Talvez eu esteja febril
Minha boca fica seca, me sinto trêmula
Ela se aproxima
Calma, lânguida... Chegou, enfim?
Não... Ainda não.
Na verdade está longe, parece que sai da água.

Confusa.

Que cor tem? Que língua fala?
Vejo um vulto. Sua aura?
Talvez uma sombra. Mas é tão clara...
Mas ela está despida, tenho certeza.
Talvez não tenha tanta certeza assim.
Suo. Frio. Vento.
Pisquei. A perdi de vista?

Desespero.

Veludo. Seda pura
Sinto algo sobre minha pele.
Temo abrir os olhos, tenho medo de não vê-la mais.
Será que ela ainda vem?
Mas, que textura é essa?
Hesito, mas abro os olhos.
Ela, enfim. Me toca atiçando todos os poros do meu corpo
Não parece sonho, embora ela pareça
Tenho medo de acordar, mas já estou de olhos abertos.
Será delírio?
A moça que vinha será ela?
Aquela que eu via no mar, na lua, no céu, no fogo?
Aquela que eu sentia no ar, na água, nas pétalas?

-Ei, é você?-

Silêncio.


Só sopra o vento. Triste
O dia começa a raiar e eu não quero
Cadê seus olhos de noite?
Cadê sua boca mar?
Sabia que não deveria piscar.
Cadê sua lua? Nova e nua?
Cadê, moça? Cadê seus passos?
Cadê seu braços?
Cadê o mar? o ar e as pétalas?
Levaste contigo sem piedade?
Comigo deixas o quê?

Saudade.

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