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Naturalmente

Te vejo... Tão perto Tão ao alcance das mãos... Em segundos Escapa por entre meus dedos. E, tão de repente, ja está em uma distância                 Continental. Parafraseio, sem medo, àquele que tanto me lê a alma. Quando percebo, ja "rodo as horas pra trás, roubo um pouquinho  E ajeito o meu caminho pra encostar no teu..." Mas somos lua e o sol. Um eclipse diário! Um espetáculo. Milagre                  Natural. Pode ser breve Um sopro Um arrepio Um piscar de olhos...  Ja aconteceu "Ja é" Ja somos. Ou, mais: Seremos!                  Plural.

Menina nos Olhos

E vendo teus olhos assim, marejados de amor Parece que têm culpa e um resquício, qualquer, de dor Te vejo chorar, sorrindo. Acho precioso a curva que a lágrima faz no seu queixo E, ao mesmo tempo, gosto da fragilidade de vê-lo (o queixo) tremer. Teu olho não mira certo em nada. E nem conseguiria. Nem você sabe, naquela hora, o certo. Tão confusa que a boca abre e fecha e balbucia e não diz nada E você, tão linda diante da dor Que ela me soa mais leve, menos densa. Sim, a dor é tua... Mas não parece tão ruim assim. Te vejo criança. Te vejo sem sua habitual segurança E me encanta. Imagino o que pensas de mim: gosta de ver e de fazer sofrer. Não. Só gosto da tua fragilidade.  É tão ligeira que preciso estar atenta à cada milímetro dela. Tão rara que poderia contar nos dedos quando a vi presente em ti. Lamentas bastante que emagrece a mágoa e seca a dor. Chora, a tristeza nem sempre é feia. Faz com que te tornes mais humana, mais bela, mais poética e fim.

Teu nome pessoal

Te/ Ti/ Contigo Se/ Si/ Consigo tu comigo

pêlo pleno

"xxsshh! hum, que arrepio na nuca!" não é espírito, não nem assombração é a sua mão passando contornando meus fios encaracolados. e olho pra você e te encaro e te quero e você sorri, desse jeito, safado e o arrepio aumenta já não toma só conta da nuca já deixa meus peitinhos 'acesos' já ouriça-me os do braço sua unha, vermelha, me arranha de leve é quase pluma. não dói, mas sinto forte. me arrancas sorrisos [tão safados quanto] sua famigerada língua começa a deslisar no meu ouvido é quente e ensurdecedor o arrepio é geral à medida que umedece meu pescoço umedece todo o resto. e cafunga, e geme leve, e suspira e me suga e me judia e "ah, que pecado" "ah, que maldade" e você ri,  e me olha profundo, e me chupa a alma e lambuza meus sonhos e invade o céu da minha boca, aberta, que ressecava aos poucos e matava a minha sede. me dava o de beber e comer e vice-versa. "liga o som" já era tarde. os vizinhos. silênci...

Em-canto

E, parada, te vejo flutuar, como se só houvesse ceu Infinita, tua forma transcende. Silhueta de luz, clara e cândida! Vagas, tão pura, bailando no véu dos teus sonhos Há vezes, vestida de dia; outras, com jeito de noite. Breve e pungente, dilacera minha alma Faz sorrir-me por dentro Confundindo todos os meus órgãos e invertendo minhas funções Nunca revelei-te tais efeitos que me causas Não quero que, por um instante de minuto, Percas tua doce singeleza Em troca de uma tirana vaidade És perfeitas assim: feita de sonhos, de estrelas, de raios, de astros De pétalas, de luz, de bons e ruins. Tudo em ti reina. Tua leveza Tua clareza Minha certeza.

A aurora de outrora agora

Tarda a noite Tua voz, ouca, fala sem dizer. Escura, as palavras são cruéis. É cedo! Ainda quero ir, continuar. Não há abismo. Não me permita voltar. Parar... Não! --- Quero ir longe aonde só teu sorriso me leva Quero navegar mares que só o teu corpo permite. Me perder no teu norde, sul, leste e oeste --- Caminhar no vão vazio da estrada longa Já parece mais perturbador do que outrora --- Não ter o tênue toque da sua mão se entrelaçando na minha No crepúsculo quase sombrio que, na minha cabeça confusa Já não sabe ser noite ou dia... Me enche de agonia e paz por ainda estar ali, estando. Comigo. --- Um silêncio louco nos toma E parecemos dizer todas as palavras do mundo N'um centésimo de segundo. Sua pupila dilata perante à luz do meu sorriso. A aurora se faz E nós, renascemos.

Miragem

Vinha ela assim, nua, quase crua Sem sentido, nem linha reta Vinha ela, na direção da minha janela Não distinguia seus passos. Parecia flutuar, talvez. Noite escura, minha visão turva A lua reflete no mar... Algo me confunde Mas ela continua vindo em minha direção Me parece mais ardente... Talvez eu esteja febril Minha boca fica seca, me sinto trêmula Ela se aproxima Calma, lânguida... Chegou, enfim? Não... Ainda não. Na verdade está longe, parece que sai da água. Confusa. Que cor tem? Que língua fala? Vejo um vulto. Sua aura? Talvez uma sombra. Mas é tão clara... Mas ela está despida, tenho certeza. Talvez não tenha tanta certeza assim. Suo. Frio. Vento. Pisquei. A perdi de vista? Desespero. Veludo. Seda pura Sinto algo sobre minha pele. Temo abrir os olhos, tenho medo de não vê-la mais. Será que ela ainda vem? Mas, que textura é essa? Hesito, mas abro os olhos. Ela, enfim. Me toca atiçando todos os poros do meu corpo Não parece sonho, embora ela pareç...

Mulher do Mar

Imagem
Mulher do mar... Moça das águas mornas, do toque quente Dunas formam o seu corpo lambuzado de areia e sal Mulher de mel, mulher da lua. Desejo transborda em seus olhos, marejados de luxúria Como ondas selvagens que vêm e vão Que lavam e lambem minhas pernas... Penetrando quente em todos os vãos de minh'alma. Ah, moça, menina, mulher... Seu pensamento longínquo faz com que eu me perca E me encontre em suas grutas ignotas Sua boca é a baía por onde navego, na direção do infinito... Mulher forte. Força bruta que me remete a de uma rocha Que, banhada pelo teu mar, me aquece e me hipnotiza. Na mansidão e na doçura da sua voz, fecho os olhos E sinto a suave brisa que me inebria. Me encanta. Ainda que haja tempestade o seu sorriso é o sol Que põe-se a brilhar. Você, mulher do mar, meu oceano... Meu continente, meu "om" Minha vida, " mi paradise". (27/09/2010) da sempre sua, K.

De repente, tudo!

Ha algum tempo algo arrebatou-me. Fez com que o dia raiasse, nunca chovesse E fez com que o tempo andasse rápido Há algum tempo eu tenho esquecido de sofrer Tenho esquecido outras coisas também Tenho só lembrado de você Há algum tempo nada importa Que não seja teu nome, tua fala, teu rosto As coisas passam despercebidas Tomam rumos e prumos que pouco me interessam Há algum tempo o som que ouço é a sua voz O livro que leio são os seus olhos E a comida que como é a tua boca Não tenho mais casa própria Mas tenho um porto-seguro Tenho um caminho Você, meu ninho. Há algum tempo... "Não tenho tempo pra mais nada. Ser feliz me consome muito!" ( Clarice Lispector )