pêlo pleno

"xxsshh! hum, que arrepio na nuca!"
não é espírito, não
nem assombração
é a sua mão passando
contornando meus fios encaracolados.
e olho pra você
e te encaro
e te quero
e você sorri, desse jeito, safado
e o arrepio aumenta
já não toma só conta da nuca
já deixa meus peitinhos 'acesos'
já ouriça-me os do braço
sua unha, vermelha, me arranha de leve
é quase pluma. não dói, mas sinto forte.
me arrancas sorrisos [tão safados quanto]
sua famigerada língua começa a deslisar
no meu ouvido
é quente e ensurdecedor
o arrepio é geral
à medida que umedece meu pescoço
umedece todo o resto.
e cafunga, e geme leve, e suspira
e me suga e me judia
e "ah, que pecado" "ah, que maldade"
e você ri,  e me olha profundo, e me chupa a alma
e lambuza meus sonhos e invade o céu
da minha boca, aberta, que ressecava aos poucos
e matava a minha sede. me dava o de beber e comer
e vice-versa.
"liga o som"
já era tarde. os vizinhos. silêncio
e mais risos [todos, absolutamente todos, safados]
e ela entrava e saía, na mesma velocidade
eu sentia. não, não, não sentia mais nada
eu tremia, fervia, devaneava, formigava, pingava
parecia febre, mas estava sã
e ela, ah... ela!
ela com 'aquele' sorriso, me olhava
e suspirava, quase sem ar
me soprando, me beijando, acariciando
calmamente, docemente.
os pêlos voltaram para o lugar,
e tudo pára, é só silêncio
se ouve, um pouco, nossas respirações
os corações retumbando, exaustos
e um resto de música pairando no ar
cai o sereno, esfria...
agora, tudo está pleno.

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