Deusa alvi de alma negra Dona do babado, do balacobaco Dona da banca, dona do jogo Pérola, branca dentre as negras Serpente quente das areias claras Seu axé ta no sangue, ta no mangue, no beat Dançarina, bailarina, faz o mundo sambar É a cor, a voz, o grito, o canto da cidade Soteropolitana, colorida como as fitas do seu Senhor do Bonfim São Salvador é berço dela, que respira amor aspirando liberdade... É do axé, do afoxé, é do ilê, do ayê, é de gandhi, é do gueto, é da massa É mulher de vanguarda, ousada, temida e querida Na sensualidade das suas curvas e de seus versos No horizonte tênue dos teus quadris Me perco, nao querendo nunca mais me achar Na delicadeza bruta da tua voz Navego como na Baía de Todos os Santos Na tua Bahia, aonde reinas, onde és e serás eterna majestade Não que eu queira tê-la apenas como soberana do teu povo Mas me satisfaço como súdita. Mulher bela, da cor de cravo e canela, do batuque da panela Clamo por ela, só ela... deslumbrante Daniel...