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bel-prazer

"Te quero doce, salgada, molhada Te quero firme, rígida, certa ou incorreta Te quero nua, lua, sua... Te quero revirar, baijar, lambuzar Tirar, despir, arrepiar... sentir! Te quero aqui, dentro, no centro Te quero em tudo Te quero leve, saciada, voráz Te quero trêmula, chorando, clamando Te quero nos braços, nas pernas, em mim Te quero nos pêlos, na saliva Te quero nos fios dos cabelos que se confundem Quero pés gelados, mãos fervendo Quero unha na carne, corpos deslizando Quero palavras sórdidas, carinhos explícitos Quero não pensar, morrer por instantes E voltar. Te quero repousada, saciada, aconchegada Te quero amando, sorrindo, dormindo... Sonhando. Em mim."

Passos.

Desejo desesperado, exagerado de querer talvez nem eu saiba o que ao certo, mas é o que eu quero eu procuro, busco por isso todas as noites vago em mim mesma em madrugadas vazias, só. Não sei aonde busco, não me dá paz essa incerteza. Que caminho e eu sigo se eu não sei aonde quero chegar? Queria voar, não ter que deixar pegadas no por onde passo... Queria pairar, subir, descer... planar. Será? Caminho da felicidade talvez seja o que eu queira Mas só querer felicidade é coisa de sonhador Não quero so sonhar, é chato, porque eu acordo e dói. Buscar por algo que não se sabe o que é... rs, é minha cara. Paradoxal, incoerente, incerta. Eu não sei aonde quero ir, só sei que vou chegar, cedo ou tarde. E nessa caminhada, é como a minha noite, a minha madrugada... Eu vou só.

caco de vidro

É perturbador saber que do que a gente sente Talvez quando é desconhecido seja mais fácil Talvez doa menos e seja menos complexo Numa nuance do tempo a gente se descobre ínfimo , mínimo perante o sentimento A gente é impotente. Isso é maior do que tudo... e NADA te prende ao resto Mesmo sabendo da inconseqüência do nosso ato, a gente insiste no "erro" Erro esse que sabemos perfeitamente que é o acerto da vida. Quando nada nos prende a nada, a vida nao tem sentido Mas quando a vida nos prende a algo, esse "algo" é a saída. Vivo sonhando, inventando, delirando, desvairando, devaneando um destino incerto Incerto? Incerto pros descrentes... pros que nao vivem de amor, pros que são burros, bestas. Eu acredito no amor... por mais louco e inconsequente que ele possa ser.. por mais EU que ele possa ser... ele existe pra mim, do meu jeito... Assim... pra mim. Ele está em algum lugar do mundo, em algum lugar do país e nao adianta... Nao tente, nao ouse querer chegar perto d...

Frágil

"Você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar." (Caio Fernando Abreu) genial... humano. tão eu. tão normal e tão incrível meu atual ponto de reflexão. gurú. saída. minhas respostas. um ser de luz. um exagerado e melancólico. gay. Luso-gaúcho-carioca. de alma limpa e pesada um "Cazuza" de sua época. exponente. Caio. agora, Eu.

desfocada

Apareço feliz e radiante em retratos e lugares badalados Me faço presente com o resto da minha alma inflamável Me quebro, mas estou inteira pros que de mim precisam Reclamo, bato, rebato, xingo, grito, calo Reprimo, tento, desisto, insisto e canso! Por que há de ser assim? Eu agora só me queixo de mim Eu sou pouca, me sinto fraca, débil, impotente... Estou quase transparente, sem o que me compor... Tênue! Na imagem saio desfocada, destoada, desaturada... Sem brilho nem contraste. Sou uma estranha pra mim! Mas o meu furor indignado Ha de ser pertinaz e eficaz! Quero usar a minha birra para ir contra esse destino incapaz Que se mostra diante dos meus olhos quando os fecho Estou fraca... quase impotente Mas eu me reergo E lutarei nobremente Contra esse futuro aflito e incerto Para que eu abra os olhos e tenha, de novo, a sensação de brilhar!

voz do escuro

Ouço vozes frias Nessa cidade que ferve Vozes, gritos, sussurros... disse-me-disse, fofocas, intrigas Estou farta! Ouço o que não quero Ouço migalhas, picuinhas Ouço coisas sem melodia. Não quero. Ouço coisas sem poesia Não posso. Ouço besteiras infames E argumentos tolos Ouço reclamações diárias Insatisfações... intransigências Ouço sem querer ouvir. Oh, Meu Caro... porquê não ilumina essas vozes? Para que gritem, falem, cantem Intriguem e sussurrem poesia Porque não os dá tom e a melodia certa para que não errem? Queria ter o dom de musicar tudo Queria ouvir risos em choros Gargalhadas em lamentos "Eu-te-amos" em tiros e navalhas Se não for assim, prefiro estar surda... Mouca. Pouca. Vazia. Fim.

Lua vazia

Me entrelaço em mim mesma Como forma de fuga Supro carencias existentes Com loucuras inexistentes Sou riso frouxo quando preciso E choro preso quando não quero Debruço-me na sorte Deleito-me da noite Penso, assim, existir de forma mais vã Menos aguda... estridente. Às vezes fico surda com os meus desejos gritantes Preciso serenar... Ainda que seja no sereno da noite Noite da lua que me seduz, do cheiro que me arrebata Do vazio que me preenche. Sou sempre eu e ela Eu gritando, bravando... e ela, quieta, plácida Deste modo me acolhe e me supre Dando-me a falsa sensação de que eu sou como ela Inteira, intensa, silenciosa, mágica e fascinante. Posso ser assim, sei que sim. Mas até que raie o dia.