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Menina nos Olhos

E vendo teus olhos assim, marejados de amor Parece que têm culpa e um resquício, qualquer, de dor Te vejo chorar, sorrindo. Acho precioso a curva que a lágrima faz no seu queixo E, ao mesmo tempo, gosto da fragilidade de vê-lo (o queixo) tremer. Teu olho não mira certo em nada. E nem conseguiria. Nem você sabe, naquela hora, o certo. Tão confusa que a boca abre e fecha e balbucia e não diz nada E você, tão linda diante da dor Que ela me soa mais leve, menos densa. Sim, a dor é tua... Mas não parece tão ruim assim. Te vejo criança. Te vejo sem sua habitual segurança E me encanta. Imagino o que pensas de mim: gosta de ver e de fazer sofrer. Não. Só gosto da tua fragilidade.  É tão ligeira que preciso estar atenta à cada milímetro dela. Tão rara que poderia contar nos dedos quando a vi presente em ti. Lamentas bastante que emagrece a mágoa e seca a dor. Chora, a tristeza nem sempre é feia. Faz com que te tornes mais humana, mais bela, mais poética e fim.

Y así... (por Daniel Rodrigues)

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Minha agenda é um rascunho de poemas inacabados Meus dias são escritos em linhas tortas Onde Deus não incide Dias de um calendário que já não está mais aqui Onde fui parar? Que endereços são estes que me esqueci de onde ficam? Perdi-me Horas, dias que não são mais eu Não mais sou (Não mais sou?) arte: Daniel Rodrigues Frases que não querem se concluir Poesias que se prendem ao papel E nunca, nunca, jamais!, tomar vida As folhas são sua casa E, fechadas, no calor das páginas unidas, podem se eternizar naquilo que nunca foram Outras dessas, porém drummoniamente Se libertam  descolaram-se Ilíadas temerosas Ansiosas para serem invadidas de sentido E que, hoje, olham para o ventre de onde saíram e quase não se reconhecem “Eu fui eu?”, perguntam-se com espanto É de se espantar Meses repetitivos, que não mais se repetem Me angustia, mais do que tudo, não compreender palavras que eu mesmo escrevi O que contém ali? Quem eu era naquela hora, ali, quando a...

Algo sobre mim

Engana-se quem supõe me conhecer. Eu também não me conheço. Às vezes paro em frente ao espelho a me observar, tentar enxergar minha alma e ela se esconde se desloca a cada piscar de olhos que dou. Tão transparente que parece que nem existe. Tão densa que não consigo vê-la. Ela se alastra, se espalha mais do que eu possa querer. Me observo diariamente e penso estar sempre aquém do que devia. Será que me subestimo? Mas gosto de mim, me tenho apreço... No fundo, mas, bem no fundo sei de todos meus predicados e potenciais, mas escondo-os de mim mesma. É estranho quando paramos para reparar em nós mesmos, né?  Fácil é reparar o outro, apontar defeitos do outro, rir do outro, julgar o outro. Ora bolas, minha cara! Isso é humano e você também é. Olha eu, me julgando, mais uma vez! Mas acho que eu posso julgar a mim, não? Posso me condenar, também? Ou é cruel demais perante os preceitos humanos? Ai, sei lá. Pego fotografias antigas e fico pensando: "o que eu pensava essa época?...

Teu nome pessoal

Te/ Ti/ Contigo Se/ Si/ Consigo tu comigo

pêlo pleno

"xxsshh! hum, que arrepio na nuca!" não é espírito, não nem assombração é a sua mão passando contornando meus fios encaracolados. e olho pra você e te encaro e te quero e você sorri, desse jeito, safado e o arrepio aumenta já não toma só conta da nuca já deixa meus peitinhos 'acesos' já ouriça-me os do braço sua unha, vermelha, me arranha de leve é quase pluma. não dói, mas sinto forte. me arrancas sorrisos [tão safados quanto] sua famigerada língua começa a deslisar no meu ouvido é quente e ensurdecedor o arrepio é geral à medida que umedece meu pescoço umedece todo o resto. e cafunga, e geme leve, e suspira e me suga e me judia e "ah, que pecado" "ah, que maldade" e você ri,  e me olha profundo, e me chupa a alma e lambuza meus sonhos e invade o céu da minha boca, aberta, que ressecava aos poucos e matava a minha sede. me dava o de beber e comer e vice-versa. "liga o som" já era tarde. os vizinhos. silênci...

Amor.

E qual o sentido em não amar demais? Por que o ser humano se protege tanto disso? Sim, a resposta da maioria é óbvia: A queda dói. E dói! Sou testemunha. Ja caí, mas levantei E vivi! Alguns inventam outras formas Formas alternativas, que pode até dar certo. Amor livre, sacanagem, etc, etc, etc. Outros se privam disso, preferem não arriscar. Eu não. Prefiro morrer de amor! Sou dessas, românticas Com alma de artista, que em tudo vê música e poesia Queria que todos fossem assim. No mundo haveria mais amor, ao invés de inveja Tenho pena dos corações sozinhos Que, como eu um dia, vagam pelas noites à procura de uma felicidade sem nome. Talvez um refúgio para a alma, Se perder (ou se achar) em cada ser, também abandonado To mundo quer uma casa, um abrigo Um cheiro de "meu". Um porto, seguro ou não É da gente querer a outra metade: da laranja, do limão, da jaca ou do maracujá. Sei lá. Todo mundo quer, no fundo, aquele amor amigo Que te faz re...

em branco

Sabe quando há muito pra se dizer e não se têm palavras suficientes? Sabe quando a alma está cheia de vã? Alguns sombrios, outros vazios.. Nós, que escrevemos, nos vemos às vezes diante de um bando de pensamentos e palavras e sentimentos e "e's" e "e.t.c's" e "mas" e "se's" É como se as palavras saíssem sem som da nossa fala e sem cor da nossa escrita Ou seja: o que eu sinto é um papel em branco? Sim. Talvez Dizem, por aí, que o branco é a soma de todas as cores Minha folha em branco é a soma de tudo o que sinto. Sendo menos lúdica e encarando a realidade como de fato deve ser considero que as profundezas de toda e qualquer alma JAMAIS serão entendidas. Alguns poetas conseguem, por vezes, falar por mim... Mas o fato é que escrever, além de ser um dom, é um estado de espírito Essa, por exemplo, é uma escrita vazia, aonde só eu vejo, Repare: e, por fim, jogo minhas palavras ao leo sem que ninguem e...